Boa parte do encantamento das crianças com universos de fantasia vem de se enxergarem dentro deles, se tornando ou interagindo com os personagens. Com a correria do dia a dia, foi ficando cada vez mais difícil fazer isso, não tanto pelos recursos financeiros, como qualquer um que já montou uma barraca na sala usando cadeiras e lençóis vai te dizer, mas pela falta de tempo e disposição. Inteligência Artificial pode ajudar com isso, mas para gerar memórias verdadeiramente marcantes, a brincadeira demanda mais do que transformar seu filho em um personagem 3D.
A Origem
Tudo começou com Olivia, uma carioquinha de 7 anos, filha da minha namorada, que se tornaria a Detetive Pijaminha. Nós 3 tínhamos uma viagem programada para uma casa no interior, mais ao invés de simplesmente contar tudo, dissemos que ela receberia uma pista por dia até desvendar o mistério. Olivia pulou do sofá, pediu seu casaco preto longo e jogou sobre o pijama colorido e gritou… “Então eu sou a Detetive Pijaminha!”
Voltando pra casa, fiz os primeiros testes transformando Olivia em uma personagem no estilo Pixar usando IA e fiquei de queixo caído. Durante a semana seguinte, Olivia recebeu uma série de itens, pistas e enigmas, incluindo livrinhos que contavam a história da Detetive Pijaminha até aquele momento e apontavam os próximos passos. Tudo isso foi criado usando ChatGPT (na versão 3.5 na época, se não me engano), algum conhecimento de design gráfico e criatividade.
Pistas
- Palavra “Cineminha” (referência ao cinema ao ar livre que seria montado na viagem)
- Guardanapo com enigma escrito a mão, durante a festa da prima
- Caça-palavras que revelava a data de volta da viagem
- Uma caça ao tesouro levando até o primeiro livrinho e terminando com seu kit de detetive
- Caça ao tesouro por todo o prédio, que levou até a próxima pista
- Enigma levava até a Alexa e dizendo o comando certo você ouvia a pista para segundo livrinho e a nova pista
- Enigma levava até o celular onde ela recebeu um vídeo da Pijaminha com a data de ida
- Uma última caça ao tesouro levou até um carro de brinquedo e pouco tempo depois, a Detetive Pijaminha recebeu uma “ligação” de seu sidekick (por IA) e conversaram até desvendarem o mistério
A evolução da Detetive Pijaminha
O processo todo levou menos de 2 semanas e seria impensável sem IA. Sim, a qualidade das imagens é (ou era) questionável, todos os enigmas, pistas etc tiveram que ser ajustados e o conhecimento de design ajudou bastante. Ainda assim, alguns anos atrás esse resultado final seria impossível sem conhecimentos muito específicos e/ou investimento alto e/ou muuuito tempo.
Depois de sua primeira aventura, Detetive Pijaminha virou um universo e foi se expandindo. Na viagem da páscoa, para Ilha Jardim, uma nova aventura e algum tempo depois, ela também ainda se tornou paleontóloga. Novas caças ao tesouro, enigmas, livros, ovos dourados e escavações enriqueceram esse universo que surgiu da cabeça de uma criança de 7 anos.
Sempre que contava essa história diziam que eu devia montar uma empresa e assim nasceu a Momê. Uma jornada que levou aproximadamente 6 meses de testes com possíveis clientes, fornecedores e tecnologia. IA é uma ferramenta incrível, mas muito inconsistente para atingir o nível de escala que precisava para fazer o negócio viável. Testamos diversas plataformas e modelos, principalmente baseados no ComfyUI, mas não conseguimos o nível de qualidade e previsibilidade necessários e a ideia voltou pra gaveta.




















